segunda-feira, 11 de julho de 2011

A você, que contribui para que eu escreva essa história que eu chamo de MINHA VIDA.

Hoje é um dia muito especial. No entanto, não estamos aqui para homenagear “uma vida”, no caso, a minha, mas estamos aqui para honrar a várias vidas, as vidas das pessoas que fazem com que eu seja quem hoje eu sou.

E pra começar, hoje quero contar um pouco da história que vocês já conhecem. Alguns, apenas em parte. Outros profunda e intimamente. Quero contar quem é essa pessoa que vocês decidiram prestigiar essa noite, e que não por acaso, Deus fez com que cruzasse os seus caminhos.

Fui a primeira filha de um casal apaixonado: Brizeno e Selma. Eles se conheceram nas ruas do Monte Castelo, quando então vizinhos, e alcovitados pela minha tia Célia, começaram a namorar. Três anos depois da minha chegada, a primogênita, nossa família ganhou uma loirinha carequinha de olhos verdes... Marina. Desde pequena, e mesmo sendo 3 anos mais nova do que eu, ela sempre se mostrou mais forte e protetora. Vocês hão de concordar comigo quando eu lhes contar que, quando Lili, a terceira filha, nasceu, meu pai nos levou para pegar a ela e a nossa mãe na maternidade, e como não pudemos entrar no hospital, eu chorei... Eu tinha 9 anos, e Marina, com os seus 6, me consolou, e cuidou de mim na recepção do hospital enquanto meu pai pegava nossa irmãzinha. Lembro demais, ainda na gravidez da minha mãe, de nós quatro deitados no chão, escolhendo o nome da Lili. Liliana, que quase se chamou Fabiana, recebeu um nome escolhido a quatro.

A Barra do Ceará foi o cenário da minha vida durante a minha infância e adolescência, onde passei lindos anos da minha vida. Lá descobri o valor das amizades, e lá fiz amigos que terão para sempre lugar nobre no meu coração. De lá sai quando tinha por volta de 12 anos, para morarmos um tempo na casa da tia Célia, quando nossa família passou por momentos difíceis e delicados... e incompreensíveis para uma criança da minha idade. Na Serrinha, onde nos hospedaram com dedicação e amor o Tio Gomes e a Tia Célia, tive o prazer de dividir o quarto com a minha então melhor amiga. Lá, as primas que viraram amigas, acabaram virando irmãs... e conseqüentemente vieram algumas briguinhas... Mas nada que nem de longe manchasse o imenso amor e companheirismo que eu e Patrícia nutrimos uma pela outra até os dias de hoje.

Não lembro quanto tempo passamos na casa da tia Célia... mas lembro que saímos de lá para morarmos com minha avó materna, a vó Maria, que devido a um acidente teve que passar dias, se não meses, acamada. Vivemos dias difíceis.... convivemos anos com a enfermidade da minha mãe, e enfrentamos tantos desertos quanto se pode suportar.

Quando nossa nova casa ficou pronta, nos mudamos e eu tive meu primeiro quarto, só meu. Lá vivi minha adolescência, lá alimentei meus sonhos juvenis, lá chorei minhas mágoas, lá cresci e amadureci, muito até para uma adolescente. E nas mesmas ruas do Monte Castelo, um outro casal apaixonado se formou...

Conheci Rubens quando eu tinha 16. Encantei-me com seu olhar, com sua voz, com seu cheiro... me apaixonei quando conheci a sua origem: a FAMÍLIA SOUZA. Desejei não somente ter aquele homem para mim, mas desejei fazer parte daquela família.

Um ano depois que começamos nosso namoro, recebi a melhor e mais difícil notícia da minha vida: EU ESTAVA GRÁVIDA! Sim... eu tinha 17 anos... e estava grávida! Eu estava no ensino médio (na época, segundo grau), e estava grávida! Eu tinha um milhão de sonhos... e estava grávida!

A noticia da gravidez caiu como uma bomba em nossa família, é claro... Mas em meio aos meus medos juvenis, eu vivia a experiência mais linda e mais desejada da minha vida.

Em janeiro de 1996, eu e Rubens nos casamos. Sai da casa do meu pai deixando nele olhos encharcados, e certamente um coração moído. Parti para uma nova vida, onde se abria diante de mim um horizonte de novas possibilidades e perspectivas.

O que dizer dos meus primeiros meses de gravidez? Enjôo, sono, pré-vestibular, choro, ansiedade, felicidade, entusiasmo, sonho, vestibular, expectativa, decepção, frustração, medo, esperança, RECOMEÇO.

Enquanto meus amigos entravam na faculdade, eu partia para o cursinho, depois de levar bomba na segunda fase do vestibular. Eu acordava cedo, arrumava minhas coisas em casa e ia pra casa da minha mãe, onde eu passava a manhã entre novelos de lã, fazendo bonequinhas que meus pais levavam para vender da ferinha da Beira Mar. Depois do almoço, eu me arrumava, pegava minhas apostilas, e ia pro cursinho. No cursinho, eu me entregava a outro mundo. Tarsila do Amaral, hipotenusa, Guerra do Golfo, gene recessivo, gene dominante.... tudo isso tomava a mente da menina que, em casa, preparava fraldinhas, colchas de berço, camisinhas de bebê e mamadeiras, como se brincasse de boneca.

No cursinho permaneci até o 8º mês de gestação, quando o dinheiro já não encontrava mais nenhum outro destino a não ser fraldas descartáveis, e quando o corpo já não agüentava mais o peso da barriga. Nessa época, eu já contava com a aprovação na primeira fase do vestibular para Farmácia, e contava também com a valiosa ajuda da minha grande amiga Roberta, que dividia comigo as apostilas do melhor cursinho da cidade, onde que ela se preparava para o vestibular em Medicina.

Treze de julho de 1996: chegou o grande dia! Eu e Rubens acordamos cedo, e tomamos um banho diferente. Fomos pra área da casa da D. Nina, minha sogra, onde morávamos, e lá tomamos um banho de mangueira às 5 da manhã. Durante aquele banho, lembro de ter observado cada detalhe da minha barriga gigante e esticada, que guardava um bebê prontinho, que eu conheceria ainda naquele dia. Naquela área, me despedi da barriga da minha primeira gestação, minha companheira de medos e parceira da minha esperança.

Partimos de táxi para o hospital: eu, Rubens e minha mãe.

Marília veio realizar meu sonho mais lindo. Não importava o cenário, as dificuldades, as incertezas: eu me realizava sendo a sua mãe.

Ainda durante o meu resguardo, fiz minha tão sonhada matrícula no Curso de Farmácia da UFC. Um novo mundo se abriu diante dos meus olhos, e embora desafiador, era gostoso conciliar o mundo dos livros e das fraldas. Os 4 anos de faculdade me amadureceram, e me apresentaram a uma nova realidade. No dia da formatura, eu também tinha um milhão de sonhos. E outro bebê na barriga. Vinha o desafio do primeiro emprego... e o desafio de uma nova gestação.

Durante toda segunda gravidez, continuei na faculdade como bolsista de pesquisa. Lá me preparei para o mestrado, que se concretizou quando Paulo tinha 5 meses.

Paulo nasceu em julho de 2001, 5 dias depois que completei 23 anos. Ele teve o privilégio de encontrar uma mãe mais madura, mais preparada, mais centrada, e bem diferente da menina de 5 anos atrás. Antes dele nascer, jamais imaginei que seria tão encantador ser mãe de um menino. Era intrigante ter em meus braços, totalmente dependente de mim, aquele que no futuro, cuidaria de mim com o zelo de um filho amoroso, papel hoje que, sem dúvidas, ele já assumiu com toda a categoria.

Em 2002 realizei dois sonhos: o mestrado e o primeiro emprego. Na Maternidade Escola, me descobri farmacêutica. Lá tenho aprendido muito do que sei hoje, lá tenho aprofundado minhas raízes e tenho passado grande parte dos meus dias. E foi lá que conheci uma das minhas grandes amigas. No início, ela era apenas grande referência profissional. Eu a admirava, nela me espelhava, com ela aprendia a trabalhar. Meses depois, passamos a dividir não somente o ambiente de trabalho, mas o íntimo dos nossos lares. Com Marta estudei pra concursos, dividi almoços e lanches, escolhi roupas novas no shopping, entre outras coisas mais. Ela foi importante em momentos ímpares da minha vida, assim como certamente eu fui para ela. Dentre as grandes amizades que conquistei, sem dúvida Marta está entre aquelas que jamais serão esquecidas. Aconteça o que acontecer. Passe o tempo que passar.

Em 2003 tive as duas maiores perdas da minha vida: perdi minha mãe, e perdi a certeza de que minha saúde era perfeita. Três meses depois de minha mãe ter partido, recebi o diagnóstico de Lupus, uma doença auto-imune que viria determinar o curso da minha história nos anos seguintes.

Em 2005, eu tinha controlada a doença. Levava uma vida normal, trabalhando, estudando, cuidando de mim e dos meus. Quando então descobri de forma dolorosa, quase que cruel, o que significava a palavra “Esclerodermia”. De repente o Lupus, meu já então conhecido e companheiro, passou a ser uma sombra no meu passado, e eu tinha que aprender a lidar com a minha nova realidade: uma doença rara, incurável, pouco conhecida, e que fazia parte de mim de forma assustadora naquele momento. O ano que sucedeu ao diagnóstico foi difícil. Vieram tratamentos desagradáveis, muitos medos e angústias. Mas aos poucos as coisas se ajeitavam e eu recuperava minha disposição e minha vida normal.

Quando eu ainda realizava o tratamento mais pesado da Esclerodermia, motivada pela minha amiga Marta, me dediquei ao meu segundo concurso; esse era um sonho que tínhamos em comum. Juntas, mais uma vez, estudamos, e juntas, mais uma vez, fomos aprovadas. O IJF virou nosso novo desafio. E hoje, ele é mais uma casa para nós.

No ano seguinte, vim a ter o mais lindo encontro da minha vida. Depois de uma crise dolorosa e triste no meu casamento, conheci Aquele que seria minha única fonte verdadeira de alegria.

Cheguei na Comunidade do Amor com o coração despedaçado. Lá, encontrei refrigério, aconchego e cuidado. Lá encontrei Aquele que passou a ser o personagem principal da minha história, e vários coadjuvantes que passaram a escrever comigo cada página em branco do livro da minha nova vida.

Recebi o pacote completo: família restaurada; saúde restaurada; auto-estima restaurada. Tudo novo. A alegria passou a fazer parte da minha vida como algo freqüente e natural.

Desde então venho aprendendo com cada nova experiência. Crescendo com cada novo deserto. Refazendo-me cada vez que Deus me mostra qual a Sua vontade.

Durante minha caminhada, tenho sido apresentada a muitas pessoas especiais. Pessoas que me ajudam a escrever a minha nova história. Tenho uma lista de nomes... nomes que estão gravados no meu coração e cujas amizades foram seladas para sempre com o sangue de Jesus. Hoje quero honrar a todos aqueles que têm sido peças fundamentais no meu crescimento espiritual.

Laert e Paula: meus eternos líderes. Tê-los tão perto é pra mim segurança e alento. A família de vocês é também minha família. Admiro a ânsia que vocês têm de aprender, e principalmente de ENSINAR tudo que tem aprendido. Orgulho-me por ser até hoje, discípula de vocês, e por ter o prazer de ser amiga íntima e pessoal de toda a família.

Cristina Bessa: minha mentora espiritual. Em tão pouca idade, jamais esperei encontrar tamanha sabedoria. Boba eu que antes não percebia que sua sabedoria vem do alto. Sinto-me cuidada quando penso e me dou conta de que tenho Cris na minha vida. Quando penso sobre os sonhos de Deus pra minha vida, vejo Cris bem perto, me ajudando a trilhar tão longo e prazeroso caminho.

Adriana Ribeiro: quem um dia chamei de amiga-luz, por irradiar uma luz diferente através de seus gestos e palavras, hoje chamo com orgulho de irmã gêmea. Com você tenho tido as mais profundas experiências com nosso Pai, e é com você que celebrarei a maior de todas as vitórias: a salvação!

Sou grata a Deus por cada abraço que recebo Dele através dos meus tantos amigos da Comunidade do Amor. Cada vida que chega até mim é recebida com o cuidado de que entende que TUDO o que tenho vem Dele. Sem dúvida, as pessoas são o meu maior ganho dos últimos tempos. E especialmente no ano de 2011, essa certeza grita aos meus ouvidos.

2011: o meu ano, como costumo dizer. Ano diferente de todos os outros que já vivi no que se refere a objetivos de vida. Ano em que decidi priorizar o plano de Deus, que resolvi me colocar inteiramente a disposição Dele. Ano de sonhos desfeitos. Ano de sonhos refeitos. Ano em que pude reconhecer minha total dependência do meu Deus. Nesse ano, minha vida deu um giro de 360 graus. Nesse ano tenho crescido muito mais do que em todo o meu tempo de convivência com Cristo.

E durante cada nova etapa da minha vida, tenho refletido sobre tudo que Deus me fez até hoje. Sobre cada vitoria que obtive, mesmo quando então eu mal acreditava em Deus. Se hoje estou aqui diante das pessoas que eu amo falando de mim, é por que na verdade, não é de mim que quero falar. Em mim, nada de bom se encontra, quando comparo à grandeza de quem me fez. De quem NOS fez. A Ele devo tudo o que sou, tudo o que conquistei, conquisto e conquistarei. Sem Ele, de nada valeria contar essa história. Sem Ele essa festa seria vã, desnecessária. Vazia. A Ele dedico tudo o que tenho, cada um dos meus dias. Entrego tudo aquilo que é pra mim importante, pois a presença Dele, do meu Deus, no nosso Deus, na minha vida, já é suficiente para que eu seja feliz como hoje eu sou.

Deus... "Eu não Te busco por aquilo que Tu podes me dar, eu não Te sirvo para ter algo de Tuas mãos. O meu amor por Ti é fruto do Teu grande amor por mim e do alto preço que pagaste em meu lugar. Creio que pode acontecer o que eu espero de Ti, porém se não acontecer ainda assim Te louvarei. Eu espero em Ti pois sei que és fiel, mas eu também sei que Teus caminhos são mais altos, não importa quando, como ou se acontecerá, para sempre eu Te servirei".

Dia 09 de julho foi o dia escolhido por Deus para que eu comemorasse os meus 33 anos. Reuni a família, os amigos e preparei algo que pudesse dimensionar a importância das pessoas e do Senhor na minha vida. O texto acima, li após mostrar um video de fotos, com imagens de pessoas que amo. Após a leitura do texto, fiz homenagens a várias pessoas que fazem parte da minha caminhada... meu pai, meu marido, minha filha, meu filho, minha prima-amiga Patrícia, e os amigos: Roberta, Laert e Paula, Cris, Adri e Marta, que não estava presente, mas em meu coração foi homenageada.

Foi uma noite memorável, mais que especial, que ficará para todo o sempre gravada em lugar nobre do meu coração.

A todos que trilham o lindo caminho da vida junto comigo, de perto ou de longe, o meu MUITO OBRIGADA por me permitirem melhorar a cada dia e por me amarem com todos os meus defeitos.

A Deus, o meu amor incondicional, a minha gratidão, o meu tudo. Tudo por Ele e para Ele.

6 comentários:

Zéia disse...

Sem palavras... Apenas dizer que amo vc no amor de Jesus Cristo.
Vc com td certeza, faz a "diferença" entre o que serve o que não serve ao Senhor. Como "astro" brilha na Terra de nossa peregrinação.
Beijos!!!

Mariana Brizeno disse...

Zeia, AMO suas palavras sempre tão lindas! O amor de alguem que mora tão longe e que nem me conhece, só pode vir do Senhor, por isso ele é tão valorizado por mim!

É uma honra compartilhar meus momentos com pessoas como vc!

Beijos!

Vanessa Lima disse...

Mari , como fico feliz por você!!!
Meus parabéns , não só pelo aniversário , mas pela mulher guerreira que és! Você é uma pessoa muito especial , te admiro muito.
Estou com saudades de você , espero vê-la em breve.
Não posso deixar de comentar que você está cada vez mais bonita , mudou o visual ein! Amei as fotos....
Deus abençõe você e sua família linda.
Forte abraço.

sissi disse...

sempre leio seu blog! parabéns pelo aniversário! lindo o texto q voce escreveu! um abraço Sissi

Adriana disse...

O que mais alegra o meu coração é saber que nenhuma vírgula dessa história foi escrita sem que você não tivesse compartilhado comigo antes. Nada do que você leu naquela noite, foi novidade para mim e acabei me dando conta de que lhe conheço profundamente.

Cada lágrima que caía dos meus olhos era de pura gratidão a Deus por tê-la ao meu lado, por sermos irmãs gêmeas e por Ele ter nos permitido realizar a festa que com certeza ficará gravada na história das nossas vidas.

Para sempre me lembrarei daquela noite, que foi tão sonhada, planejada e preparada com um simples desejo de glorificar a Deus e contagiar as pessoas com a alegria que vem do Senhor.
Obrigada mana, o simples fato de você existir já me deixa muito mais feliz.

Rachel de Queiroz disse...

Não tenho palavras amiga.Só lagrimas ,mais de felicidade por conhecer vc.Beijos.