terça-feira, 16 de agosto de 2011

O fim da infância, no fim do sertão.


"A vida do homem do campo a que ponto chegou
O brilho do homem forte e destemido se apagou
Viver apenas um homem pedinte, mendigo do mundo

Homem sem casa, casa sem mesa
Mesa sem prato, Prato sem comida
Homens com filhos, filhos com fome,
Fome que mata, vidas sem vida

...

Raízes novas sendo decepadas pois os filhos debandam
Engordando fileiras periféricas e faveladas dos estados do Sul
O teto de céu estrelado hoje é poluição
No sonho de escapar da fome, o fim do sertão

Lalaiá lá, lalaiá laiá..."

João Bosco de Sousa - O fim do sertão

Agora a mente fez uma viagem lá no passado...

Não lembro o ano, nem minha idade, mas talvez eu tivesse uns 7 pra 8 anos. SESI da Barra do Ceará. Festival de talentos. No palco: tio Bosco, meu padrinho, tia Socorrinha, recém-chegada de Brasília, e que eu só então conheci nessa época, Daniel e Juca, meus dois primos que tinham quase que a mesma idade que eu. Tio Bosco no violão, tia Socorrinha no vocal, e os meninos enfeitando o coro com suas vozinhas lindas e charmosas de criança. Na platéia: a família Brizeno. EM PESO.

Torci muito por eles. Lembro de alguns outros candidatos... Tinha um rapaz que era quase um Raul Seixas. Tinha um casal que parecia Jane e Erondi. E tinha a família Brizeno autêntica e talentosa lá em cima; pra mim, os melhores.

O terceiro lugar de "O fim do sertão" foi muitíssimo comemorado. Lembro de ter ficado tão feliz quanto se eles tivessem ganho o primeiro. Lembro do meu pai falando que o que era julgado não era nem a voz... mas a música, que ele dizia com orgulho, ser do tio Bosco.

Acho incrível até hoje, uns 25 anos depois, eu nunca ter esquecido essa letra. Esqueci sim, a estrofe do meio... mas essa lembro que não aprendi direito nem na época do festival.

Algumas lembranças nos acompanham de fato pelo resto da vida. E essa é uma que vou carregar comigo pra sempre. Por muito tempo sonhei com natais ou viradas de ano na casa da minha avó onde púdessemos, a uma só voz, cantar novamente O fim do sertão... e quando de fato eu pudesse aprender a segunda estrofe. Mas as oportunidades perdidas jamais voltam... Hoje a realidade é outra... Minha vó não verei nunca mais... Tio Bosco canta em outros espaços, tia Socorrinha ocupa-se com a árdua luta diária, os meninos se formaram, casaram, são pais de família (soube essa semana que o herdeiro do Juquinha tá "no forno"), e o que fica é a lembrança. Imutável e inapagável. Na mente e no coração, pro resto da vida.

4 comentários:

Zéia disse...

Oi flor amor.

Bom ler vc. Faz bem. Existe identificação nos seus escritos. É desse jeito mesmo.

Lembranças boas que jamais se apagarão de nossa memoria. Glória Deus!!!

Beijo! A paz do Senhor Jesus Cristo.

Mariana Brizeno disse...

Gosto muito de ter vc por aqui, Zéia. Brigada!

Anônimo disse...

teste

Lilian Gratti disse...

realmente Mari, família é td...
se tivemos mais ou menos,
não questiono,
mas agradeço pelo q tive,
no meu caso, com meu pai,
q não vejo há 21 anos e nunca mais verei, não nesse mundo, não nessa vida...

enfim... Q BOM Q TEM BOAS LEMBRANÇAS!!!

Deus abençoe!
Adoro vc!

Bj
da Li